Em 2005, eu havia acabado de sair do Conservatório de Tatuí. Trazia comigo não apenas o conhecimento adquirido pelo instituto, e estava em busca de um produtor musical para poder gravar e conseguir trabalhos como cantor. Ainda acreditava em "sonhos" simples, possível e absolutamente alcançável: eu queria ser cantor.
Isso ocorreu porque quando eu estava fazendo o Conservatório de Tatuí, durante uma aula de canto, minha professora, Andreia Guimarães, me perguntou por que eu havia escolhido estudar no Conservatório de Tatuí, uma instituição tão reconhecida pela formação musical e cênica.
E disse que era porque eu queria construir uma carreira ser um cantor, conquistar fãs, ser conhecido, trabalhar com música e, principalmente, transformar aquilo que eu amava em uma profissão, construir uma carreira sólida, como cantor, produtor musical e sim fui sincero e disse que queria ser um cantor pop tipo esses de TV streaming e focava numa carreira nacional e internacional. Eu sonhava com uma carreira nacional e internacional. Queria ser um cantor pop, como aqueles artistas que eu via na televisão, na rádio, nas redes sociais, nas plataformas de streaming e etc.
Eu não escondia isso de ninguém.
Mas, quando mencionei que queria seguir uma carreira pop e pública, percebi uma mudança no tom da conversa. Na minha percepção naquele momento, havia certo deboche e desconforto com a ideia de eu buscar fama, reconhecimento e uma carreira voltada ao grande público e deu a entender que o conservatório ali não apoiava muito essa questão de fama e coisas do gênero.
Então ela me disse, em essência:
— Stefano, então porque você não procura um produtor musical? Pra ser famoso não precisa fazer um conservatório tão bom como esse, aqui é pra formar mais professores de canto e ganhar notoriedades em festivais e etc.
Hoje consigo entender que aquele episódio foi importante para minha certeza de que tudo o que prego realmente é verdade e que realmente precisa haver uma intervenção da parte do Espírito Santo.
Mas, naquele momento, ela me decepcionou, eu ainda era muito ingênuo em vários aspectos da vida. Eu acreditava que estudar, sonhar e se dedicar seriam suficientes para que as portas naturalmente se abrissem.
E como sempre fui "o escolhido" mesmo nessa época não sabendo exatamente.
Naquela noite, fiquei profundamente decepcionado. Não consegui dormir direito. Eu sentia como se alguém tivesse colocado em dúvida justamente aquilo que mais acreditava: a possibilidade de transformar meu sonho em realidade. Porque mesmo ainda naquela época não pregando o que prego hoje, minha essência sempre quis ser o melhor para alcançar o melhor, não para concorrer mas para ter por mérito. Eu me inscrevia nessas coisas porque achava que era uma vitrine não porque eu queria concorrer com os outros, não vejo necessidade disso, como prego sou a favor do mérito.
Eu ainda não pregava aquilo que prego hoje, não tinha a mesma visão de mundo e tampouco compreendia completamente o caminho que estava começando a percorrer. Mas uma característica já existia em mim: eu queria ser o melhor que pudesse ser para alcançar o melhor que pudesse alcançar. Não por competição. Não para passar por cima de ninguém. Mas porque acreditava — e ainda acredito — que conquistas devem vir pelo mérito.
Depois daquela conversa com a Andreia Guimarães, fui perdendo pouco a pouco o gosto pelo Conservatório.
O problema é que ela mentiu pra mim, porque isso não é verdade, ela devia ter me apoiado a continuar o curso e me incentivado a realmente ir atrás das minhas conquistas sem deixar o curso de lado. Mas da forma que ela falou, deu a entender de que ali seria um tempo perdido, e embora eu acredite na eternidade, eu não sou o tipo de que insisto em algo que sei que não vai dar certo, só insisto quando sei que vai dar certo.
E comecei a procurar um produtor musical.
Foi então que cheguei até Paulo Evans, da Cristal Studios.
Ali começou uma nova experiência da minha vida. Passei a trabalhar com ele, participando de diversas obras publicitárias, atuando como cantor e também dando meus primeiros passos na produção musical.
Eu acreditava que finalmente estava encontrando o caminho que havia procurado.
Mas outra decepção estava por vir.
Paulo havia me dito que eu iria ganhar muito dinheiro. Eu acreditei.
Então esses registros aqui mostram que depois do Conservatório de Tatuí eu fui trabalhar com o Paulo Evans, na Cristal Studios e fiz diversas obras publicitárias como cantor e como um iniciante na produção musical. 



Mas ele também mentiu pra mim, porque disse que ali eu iria "ganhar muito dinheiro" e acreditei nele.
Todos os dias, aproximadamente das 9h às 17h, eu permanecia no estúdio. Algumas vezes também aos sábados. Eu fazia minha rotina em torno daquele trabalho e chegava a levar marmita para passar o dia lá.
O problema é que, na prática, eu não recebia por aquele período diário de trabalho. O que eu recebia era aproximadamente entre R$ 100 e R$ 150 por gravação de jingle. E, para gravar um jingle, não era necessário permanecer no estúdio todos os dias. Bastava marcar um horário.
Meus pais começaram a perceber aquilo e passaram a questionar aquela situação. Para eles, não fazia sentido eu estar diariamente no estúdio, cumprindo praticamente uma rotina de trabalho, quando os pagamentos aconteciam apenas eventualmente.
Até que um dia aconteceu uma discussão em minha casa.
Eu, meu pai, minha mãe, Paulo e sua esposa estávamos conversando sobre aquela situação. Foi uma discussão que, olhando hoje, eu preferia que nunca tivesse acontecido.
Mas aconteceu.
E daquele episódio veio o desligamento com a Cristal Studios.
Mais uma vez, aquilo que eu imaginava ser o caminho para o meu sonho se desmoronava diante dos meus olhos.
Hoje, consigo reconhecer que Paulo errou ao dizer que eu iria “ganhar muito dinheiro”. Ele deveria ter sido transparente comigo. Poderia ter explicado que eu receberia os cachês correspondentes aos jingles e que, caso eu quisesse permanecer no estúdio para aprender produção musical e eventualmente ajudá-lo em determinadas atividades, aquilo seria uma escolha de estudo— e não uma rotina equivalente a um emprego de segunda a sexta, e às vezes aos sábados, sem remuneração correspondente.
A diferença entre essas duas situações é enorme.
Mas mesmo assim, o Paulo me via como um bom cantor e acabou me indicando para outro Paulo, Paulo Roberto da Banda Paragrapho in concert que estava em busca de um vocalista para cantar na banda de baile Paragrapho in concert.
O Conservatório havia ficado para trás.A Cristal Studios também.
Mas eu continuava acreditando e continuo.
Naquele momento, eu ainda não sabia exatamente onde chegaria. Só sabia que não queria abandonar aquilo que sempre acreditei.
Eu queria cantar.
Queria construir uma carreira.
Queria conquistar pelo mérito.
- A própria biografia publicada aqui na Rede Stefano lista “Banda Paragrapho In Concert” entre as bandas das quais participei.
- Encontrei um registro independente de 2006 do Programa Escola da Família / Fundação para o Desenvolvimento da Educação, mencionando a Paragrapho in Concert tocando no encerramento de um evento.
- Também há uma matéria de 2012 do Campinas.com.br sobre o Carnaval do Clube 9 de Julho, em Indaiatuba, que anuncia a banda campineira Parágrapho in Concert para os bailes e matinês. Mas esses registros é só pra dizer que a banda não é fictícia.
🔎 Aderindo mais pesquisas acerca desta informação
Como estamos procurando material visual de arquivo na internet, forneci uma foto que está entre meus arquivos da Alliance Produções.
Mesmo estando embaçado no fundo dá para ver um banner com o nome da banda mas não por completo. Se você for ver mais afundo verá as palavras "grapho in" que faz parte do nome "Paragrapho in concert"
O que a fotografia efetivamente registra:
- Eu cantando ao vivo no palco, segurando um microfone;
- uma apresentação em ambiente de show, com iluminação cênica;
- a fotografia foi tirada pelo meu celular de outra foto que estava guardada nos arquivos da Alliance Produções;
- há elementos de palco ao fundo.
O ponto mais interessante
A busca documental feita encontrou duas referências externas importantes:
- Em janeiro de 2006, a página do Programa Escola da Família registra a “Paragrapho in Concert” tocando durante o encerramento de um evento.
- Em fevereiro de 2012, o Campinas.com.br identifica a Parágrapho in Concert como uma banda campineira contratada para o Carnaval do Clube 9 de Julho, em Indaiatuba.
- A biografia publicada aqui na Rede Stefano também relaciona Banda Paragrapho In Concert entre as bandas que participei.
Portanto, temos três tipos diferentes de registro: uma fonte institucional de 2006, uma fonte jornalística de 2012 e a documentação biográfica que me relaciona à banda.
Abaixo estão mais fotos relacionadas e esse trabalho e a esses trabalhos:
Aqui é no camarim da Red eventos em um dos shows que fiz com a banda Paragrapho in concert
Aqui é no palco não dá pra ver exatamente o lugar mas parece que foi no hotel Vacance ou na Excalibur em uma formatura

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