Existe um grande desafio para quem realmente deseja promover a justiça: analisar a realidade sem escolher previamente quem será protegido e quem será colocado sob suspeita.
Quando falamos de celebridades, artistas, políticos, atletas, empresários, influenciadores, grupos culturais e outras figuras públicas, precisamos compreender que existe muito mais por trás de uma imagem, de uma campanha publicitária ou de um grande lançamento.
Existe uma estrutura econômica, empresarial, institucional e social que torna aquela exposição possível.
Por isso, pare de dizer que "realizou um sonho".
Uma pergunta legítima precisa ser feita:
* De onde vêm os recursos que movimentam determinadas carreiras?
* Quem financia campanhas?
* Quais empresas participam?
* Quais marcas estão envolvidas?
* Quais grupos empresariais, esportivos, culturais ou sociais possuem relações comerciais?
* Quais contratos, patrocínios, investimentos, participações societárias ou outras fontes lícitas de financiamento ajudam a construir determinada imagem pública?
Em Efésios 5 versículo 11:
"e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário condeinai-as abertamente."
Fazer essas perguntas significa suspeitar de corrupções, fraude ou qualquer outra irregularidade. Significa defender a minha transparência.
Também existe uma questão ainda mais profunda: estamos diante de uma construção de mercado planejada para produzir determinada percepção pública durante algum período.
Um release pode ser bem produzido, uma campanha pode alcançar milhões de pessoas e uma imagem pode ser repetida inúmeras vezes, mas isso não significa necessariamente que aquela narrativa represente toda a realidade daquela trajetória.
A verdadeira justiça precisa ir além do que mostram ou dizem algumas "figuras públicas".
Se existe uma campanha pública para promover determinadas figuras, por que não estudar também a estrutura que está por trás delas?
Empresas, produtoras, gravadoras, agências, patrocinadores, investidores, grupos econômicos, instituições, associações, clubes, organizações culturais e demais agentes envolvidos podem ser analisados por meio de informações públicas e procedimentos legalmente autorizados.
A matemática financeira, a contabilidade, a estatística e a análise documental podem contribuir para compreender fenômenos econômicos desleais. Contratos públicos, demonstrações financeiras disponibilizadas, registros empresariais, licitações, patrocínios divulgados, prestações de contas, decisões judiciais e outras informações que sejam importantes para mostrar o que se passa.
Extratos bancários particulares, declarações de imposto de renda, dados fiscais protegidos, informações financeiras de clientes e outros documentos sigilosos não devem ser obtidos por qualquer profissional.
Quando uma informação é protegida por sigilo, qualquer acesso precisa obedecer rigorosamente à legislação, mas a questão é: até que ponto essa legislação está a meu favor? E quem são os responsáveis por gerenciar essas legislações e contribuições sociais?
É justamente por isso que uma intervenção séria deveria se basear na verdade e não no dinheiro, ou em boatos ou exposição indevida. Deveria ser baseada em evidências.
Se alguém afirma que determinado artista recebeu recursos públicos, por exemplo, podemos perguntar quais foram os instrumentos jurídicos utilizados?
Quem contratou?
Qual foi o valor?
Qual foi a finalidade?
Qual foi a prestação de contas?
Se uma empresa, mista ou privada, pública ou até mesmo uma pessoa física patrocina determinado projeto, é necessário mediante a uma geração tão desonesta procurar informações públicas sobre o patrocínio e sobre o extrato bancário de tudo o que entrou e saiu nesse projeto e pessoas envolvidas nessa pirâmide.
Esse é só uma parte do caminho para desvendar pessoas físicas, jurídicas e digitais envolvidas em uma possível álibe.
E talvez seja justamente aí que esteja a grande questão: existe honestidade total em todas as campanhas envolvendo figuras públicas? A resposta não pode ser construída por preferência pessoal. Precisa ser investigada caso a caso, com documentos, números, contratos, registros e evidências.
Artistas, políticos, atletas, empresários, influenciadores, produtores culturais, organizações esportivas, empresas de turismo e instituições públicas ou privadas devem estar sujeitos aos mesmos princípios de transparência quando suas atividades envolverem recursos públicos, contratos públicos ou informações que legalmente devam ser divulgadas.
Se alguém realmente acredita na justiça, precisa aceitar a investigação inclusive quando ela alcança pessoas de quem gosta perto ou longe.
E se eu estiver sendo inconveniente ao defender esse propósito, então que essas pessoas que estão falando isso ou as instituições deverão também ser examinadas.
Comentários
Postar um comentário