Trabalhar se conectando com o amor

 


Vivemos em gerações que, muitas vezes, tentam infectar a mente dos indivíduos com pregações disfarçadas em símbolos, discursos, imagens, cores, interesses comerciais, interpretações espirituais e inúmeras outras influências. E diante disso, é preciso discernimento. Se tudo isso é verdade em determinados contextos, então sim, existe um poder simbólico e emocional por trás daquilo que se apresenta ao ser humano. Se, em outros casos, isso não passa de mito, então não. E se as cores realmente possuem força, impacto e potência sobre a vida das pessoas, a resposta é: depende de quem usa, de como usa, com qual propósito usa e a serviço de quê.

O problema nunca esteve apenas naquilo que as pessoas chamam de entorpecente. O problema está em todo vício, em tudo aquilo que perturba, desequilibra, aprisiona, confunde ou domina a mente, a alma e a consciência. Há vícios químicos, emocionais, espirituais, comportamentais, ideológicos e até sociais. Tudo aquilo que escraviza o ser humano, tudo aquilo que o afasta da lucidez, da paz, do amor, da verdade e da sua missão, de alguma forma também o entorpece.

Ao mesmo tempo, nem tudo deve ser condenado sem sabedoria. Um uniforme, por exemplo, pode ser viável e até necessário para representar organização, higiene, respeito, ordem, função, profissionalismo e identidade em determinados contextos. Nem tudo o que é visual é manipulação. Nem tudo o que carrega símbolo é perversão. Há coisas que servem à ordem, ao cuidado, à beleza, à disciplina e à responsabilidade. O ponto central é a intenção, a consciência e o propósito.

 

 

 

 

Quando a Bíblia diz que a uns é dado o entendimento e a outros não, isso não deve ser lido apenas como um privilégio místico ou uma seleção arbitrária. Isso fala sobre profundidade espiritual, sobre fé verdadeira, sobre coração disposto, sobre maturidade para discernir o que é útil, o que é nocivo, o que é santo, o que é manipulação, o que é libertação e o que é escravidão. Fala sobre aqueles que realmente buscam alternativas de gerenciamento, produtividade, educação, cura, libertação, amor, emoção equilibrada e crescimento. Fala sobre aqueles que não querem apenas sobreviver, mas compreender sua função, seu chamado e sua responsabilidade diante da vida.

Mas também fala daqueles que ainda precisam entender que existe prazer em ser servido, e não apenas em servir. Existe dignidade em receber. Existe amor em acolher aquilo que o outro oferece com sinceridade. Nem todo mundo foi chamado para liderar, assim como nem todo mundo foi chamado para servir da mesma forma. O problema começa quando tentam impor uma função a quem não nasceu para ela ou quando tentam envergonhar alguém por ocupar um lugar que, diante de Deus e da verdade, lhe pertence.

A liderança não é um ato para todos. Liderar exige estrutura, discernimento, responsabilidade, resistência, visão, coragem e capacidade de sustentar pesos que muitos não suportariam. Quem não nasceu para liderar não encontra felicidade verdadeira liderando apenas por vaidade, pressão, aparência ou obrigação. Da mesma forma, servir também não pode ser encarado como uma posição inferior ou humilhante. Há pessoas que florescem no cuidado, no suporte, na construção silenciosa, na proteção, na execução fiel e na entrega. O erro está em transformar papéis em prisões e dons em imposições.

Quem não é líder não precisa ser forçado a liderar para provar valor. E quem não nasceu para servir de determinada forma também não deve ser empurrado a uma função que fere sua natureza, sua alegria e sua verdade. O que precisa existir é discernimento, equilíbrio e aceitação daquilo que cada um é de fato. O mundo está triste porque rejeita o que é verdadeiro. O mundo adoece porque rejeita aquilo que produz eternidade, cura, ordem, amor e propósito. O mundo se perde porque insiste em chamar de egoísmo aquilo que, muitas vezes, é apenas identidade, necessidade legítima, vocação ou expressão saudável da alma.

As cores devem, sim, ser representadas. Os símbolos podem, sim, existir. Mas precisam estar nas mãos de quem compreende a sua missão, o seu papel e a sua responsabilidade para cada finalidade da vida. Cores, imagens, funções, gestos, palavras, estéticas e expressões não deveriam ser usadas de forma vazia, manipuladora ou perversa. Aquele que foge da própria missão, aquele que distorce a própria função, aquele que usa aquilo que recebeu para ferir, dominar, confundir, escravizar ou afastar o outro do bem, não está usando nada para a eternidade; está apenas corrompendo o que poderia servir à luz.

 

 

 

 

Por isso, é necessário dizer com clareza: ser servido não é egoísmo. Servir não é egoísmo. Ser líder não é egoísmo. Ser amado não é egoísmo. Sentir prazer não é egoísmo. Sentir-se realizado não é egoísmo. Receber cuidado não é egoísmo. Desejar reciprocidade não é egoísmo. Querer viver a própria verdade com responsabilidade, profundidade e sentido também não é egoísmo.

Egoísmo é outra coisa. Egoísmo é se afogar em atos, escolhas, vícios, manipulações, mentiras, excessos e ambições que impedem os escolhidos de trabalhar em seus propósitos. Egoísmo é usar pessoas como instrumento para alimentar vaidades e carências sem qualquer compromisso com a verdade. Egoísmo é bloquear o florescimento daquilo que Deus separou para existir com beleza, justiça, ordem e plenitude. Egoísmo é perturbar, atrasar, sabotar, humilhar, confundir ou adoecer aqueles que carregam uma missão legítima.

O que é correto precisa ser aceito. O que é verdadeiro precisa ser discernido. O que é puro precisa ser preservado. O que é funcional precisa ser respeitado. O que gera vida precisa ser defendido. E aquilo que realmente produz efeito de eternidade, paz, consciência, amor, ordem, cura e realização não pode continuar sendo rejeitado por ignorância, medo, vício, manipulação ou má-fé.

Cada pessoa precisa compreender o próprio lugar, a própria responsabilidade, o próprio limite, a própria função e o próprio chamado. Nem tudo é para todos. Nem todos foram feitos para as mesmas formas de amar, servir, liderar, construir, proteger, ensinar, acolher ou conduzir. Mas tudo aquilo que é feito de maneira correta, com verdade, consciência, dignidade e finalidade justa, merece ser reconhecido e não condenado.

 

 

 

 

A vida não pode continuar sendo guiada por distorções que chamam de impureza aquilo que, na verdade, é propósito; nem por discursos que chamam de egoísmo aquilo que, muitas vezes, é apenas verdade vivida com consciência. O que precisa existir é entendimento. E entendimento não é apenas informação: é revelação, maturidade, responsabilidade e fidelidade àquilo que realmente faz bem, liberta, organiza e conduz o ser humano para a plenitude da sua missão.

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