Dia 09/04/2026
Horário de Brasília de 11:53
Não quero mais ver mãos erguidas apenas para ferir, nem vozes levantadas só para dividir. Estamos nos perdendo quando escolhemos o combate como primeira resposta, quando fazemos da dor um argumento e da raiva uma bandeira. Já passou da hora de reconhecer que nenhum lado vence de verdade quando todos saem feridos. O mundo não precisa de mais trincheiras, de mais muros, de mais julgamentos que afastam. O que precisamos agora é de coragem para fazer o que parece mais difícil: abandonar o orgulho, descer do pedestal da razão absoluta e olhar uns para os outros como parte de uma mesma história.
Porque existir não é apenas resistir. Viver vai além de sobreviver às guerras internas e externas. Viver também é construir, sentir, repartir, sonhar e permanecer. Há uma força maior no gesto de quem escolhe reconciliar do que no grito de quem insiste em vencer. E é nessa força que eu quero me firmar. Não na força da imposição, mas na firmeza de quem sabe que o amor verdadeiro não é fraqueza: é fundamento. É base. É permanência.
Se por tanto tempo fomos ensinados a defender nossos espaços como se tudo fosse ameaça, talvez agora seja o momento de aprender a proteger o que realmente importa: a dignidade, a paz, a verdade e a esperança. Porque de nada vale conquistar territórios se perdermos a alma no caminho. De nada vale ter razão se o coração estiver vazio. De nada vale erguer castelos sobre ruínas de afeto. O verdadeiro reino que merece existir é aquele que acolhe, que cura, que escuta, que restaura.
Por isso, eu escolho deixar os lados de lado. Não porque não existam diferenças, dores ou histórias marcadas por cicatrizes, mas porque acredito que há algo maior do que tudo isso. Há um propósito que nos chama para além do conflito. Um chamado para permanecer. Permanecer no que é justo, no que é verdadeiro, no que é bom. Permanecer mesmo quando o mundo tenta nos convencer de que desistir é mais fácil. Permanecer mesmo quando a tempestade insiste em nos dobrar. Permanecer porque aquilo que é feito com verdade resiste ao tempo.
Eu quero assumir um papel nesta vida. Não por vaidade, não por desejo de superioridade, nem por sede de aplauso. Quero assumir porque entendo que toda vida carrega uma responsabilidade. Cada um de nós nasceu com algo que precisa ser entregue ao mundo. E eu reconheço em mim esse chamado: o de servir com firmeza, de agir com consciência, de não fugir do que me cabe. Quero ser alguém que não se esconde diante da injustiça, mas que também não se deixa contaminar pelo ódio. Quero ser ponte onde muitos insistem em ser abismo.
Reinar, para mim, não é dominar pessoas. Reinar é governar primeiro a si mesmo. É vencer o medo, controlar os impulsos, aprender com os próprios erros, reconhecer limites e ainda assim seguir em frente. Reinar é ter disciplina quando tudo chama para o excesso. É escolher a verdade quando a mentira parece mais confortável. É sustentar a paz dentro de si para que ela possa alcançar os outros. Esse é o reino que eu desejo corrigir: o reino interior, o reino das escolhas, o reino invisível onde se decide o rumo da vida.
Eu assumo, então, o espírito da verdade. Não a verdade usada como arma para humilhar, mas a verdade que liberta, que ilumina, que orienta. Assumo o espírito da justiça. Não a justiça do castigo cego, mas aquela que restaura, que equilibra, que reconhece o valor de cada ser. Assumo o espírito do amor real. Não o amor frágil das promessas vazias, mas o amor que permanece quando tudo vacila. O amor que sustenta, que corrige, que perdoa e que ensina.
Faço de mim não um rei de coroas e tronos, mas alguém disposto a carregar com honra aquilo que me foi confiado. A realeza que escolho não está no luxo, mas no caráter. Não está no poder sobre os outros, mas no domínio sobre minhas próprias sombras. Não está em ser servido, mas em servir sem me diminuir. Porque o verdadeiro merecimento não nasce da imposição: nasce da coerência entre palavra, intenção e atitude.
E se o para sempre existe, ele não se mantém pela força da conquista, mas pela constância do cuidado. O que dura é aquilo que é regado com presença, com verdade, com entrega. O que permanece é o que encontra raiz no propósito. Por isso eu sigo. Não para provar algo ao mundo, mas para honrar aquilo que reconheço em mim. Eu sigo porque acredito que ainda há tempo de reconstruir. Ainda há tempo de unir. Ainda há tempo de transformar.
Que cesse o desejo de ferir em nome de defender. Que cesse a guerra que nos afasta daquilo que realmente somos mas que continue a guerra até eu me tornar o que sou assim que me tornar ela se encerrará. Que se levante um novo tempo, feito de consciência, coragem e presença. E que eu tenha força para ser, todos os dias, alguém digno da missão que escolhi assumir: viver com verdade, agir com justiça, amar com inteireza e permanecer com honra. Porque é assim, e só assim, que um reino se torna eterno.
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